A história de um ex-futuro-ex-BBB

Me sinto um ex-BBB só por aparecer na abertura do programa. Se te interessar saber, senta aí que lá vem textão contando como funciona o processo seletivo.

Minha relação com o BBB começou em um dia do jogo da Copa. Estava ocioso quando resolvi ver o que que tava pegando no site do BBB. Sempre disse que participaria do programa. Então, entrei e vi que as inscrições estavam abertas. E o melhor: não precisava mandar aqueles vídeos bizarros, era só responder a um questionário. Ou seja, basicamente eu teria que usar minha veia promonáutica (escrever frasezinhas de efeito) para agradar quem tivesse lendo. Resolvi me inscrever pela zoeira e pela história que poderia gerar.

No site, respondi a várias perguntas, como “O que você faria se tivesse uma briga?”, “Conte um segredo que ninguém mais sabe…”, “Por que você acha que vai ganhar o prêmio?”, etc. Escrevi tudo de forma engraçadinha. Pensei: se não me chamarem pra entrevista, pelo menos vão rir das respostas.

Em novembro recebi e-mail de um produtor. Achei que fosse trote, mas pedia pra olhar no site e confirmar. Olhei e eu tinha sido convocado pra uma primeira entrevista (NÃO FALE NADA PRA NINGUÉM, NÃO POSTE EM REDES SOCIAIS… OPS!). Como eu tava sem pretensões, fui sem expectativa alguma. Era uma boa oportunidade pra poder contar pra todo mundo que já fui numa seletiva e poderia render até alguma história legal. E acho que rendeu.

Cheguei no hotel no horário combinado pra primeira entrevista. Tinham 20 pessoas no meu horário das 8h30. Algumas: a Tamires (que entrou na casa), o Mister São Paulo, o Gina Indelicada (sério), uma mulher que era dona de alguma coisa de cosmético importante, a sósia oficial (?) da Amy Winehouse, uma tonta que disse que quase foi Miss Peão Boiadeiro e várias pessoas querendo aparecer, mas que no fundo eram todas chatas. Me senti um estranho no ninho ali. Fiquei no meu cantinho enquanto todos já estavam interagindo loucamente já achando que estavam na casa. Uma mulher veio puxar papo comigo e foi a única que conversei. Ela era professora. O resto: só mulher altamente maquiada, com salto alto e saias curtíssimas. No lado dos homens: gays. Ah, e tinham apenas 2 negros.

Aí você me pergunta: como sei o que os outros faziam? Simples: pela sessão vergonha alheia que tive que passar. Alguma imbecil resolveu fazer uma roda entre todos que estavam lá e cada um deveria se apresentar no meio. Os produtores da Globo só olhavam de fora e estavam indignados com tamanha idiotice. Dei um passo atrás pra não participar, mas só quando passou da metade percebi que estavam chamando por ordem numérica e… “QUEM É O DEZESSETE????” Puta que me pariu. Era eu. Fui lá no meio e gaguejei meu nome, minha idade, o que faço e dei uma sambadinha.

Passado toda essa merda, o produtor chamou a galera pra começar de verdade a seletiva. Adivinha? Fizeram uma dinâmica de grupo nos moldes do que as empresas fazem pra contratar funcionários. Meu primeiro pensamento era fingir um desmaio e sair da sala pra não ter que passar por aquilo, mas, pra ter uma história, era necessário eu ficar ali.

Na primeira dinâmica colocaram quadrados no chão e todos tinham que subir em cima disso. Era tipo uma dança das cadeiras. Iam tirando pessoas e quadrados pra dificultar. No final, ficaram 10 pessoas e 4 quadrados. A mulher disse: “Agora vocês se virem pra ficar todos dentro desses quadrados”. A galera era muito tapada e queria uma subir em cima da outra pra conseguir ficar lá dentro. Sugeri ao menos juntar os 4 quadrados porque caberiam mais pessoas no meio. Falei também pras pessoas colocarem os pés com ângulo de 90 graus pra não ficar fora do quadrado. Se fosse uma dinâmica da Unilever, eu acho que teria passado por falta de adversários.

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Fiquei gato na TV?

Após isso sentamos em 2 grupos de 10 pessoas pra resolver um caso. Davam um problema e deveríamos dizer quem era o mais culpado e o menos culpado pela morte da personagem da história. A galera tinha uns argumentos muito ruins e sem lógica e os 2 grupos chegaram à conclusão que a culpa da morte era do próprio bandido. Discordei do grupo. No final, ela perguntou se alguém não estava de acordo e levantei a mão pra falar da minha visão ~tá com pena leva o bandido pra casa~ de que nem sempre a culpa é do bandido. Quando falei, a muié do processo seletivo deu um sorrisinho porque deve ser uma Petralhinha.

A dinâmica acabou e voltamos pra sala. Como já tava cansado daquilo ali que não daria em nada, perguntei se ia demorar muito e disse que eu teria que voltar pro trabalho. Eu era o número 17 e iam chamar por ordem numérica. Ponto positivo: fui o primeiro a ser entrevistado. Como falo pra caralho, a mulher quase não teve perguntas, porque eu já respondia tudo antes. Ela me curtiu e disse que eu iria pra outra entrevista. Perguntei o dia e ela disse: “Agora mesmo. Em outra sala”.

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What?

Fui pra outra sala. Eu tinha basicamente que falar a mesma coisa, mas pra uma outra mulher e com uma câmera me gravando. Contei umas histórias do blog sobre cocô, falei do meu site no colégio (que já fiz um BBB entre os alunos), contei do Orkut, sobre promoções que ganhei… e a mulher não parava de rir. Perguntei se todos iam fazer esse vídeo e ela disse que não, que só alguns que eles curtiram mesmo e passaram na primeira entrevista. Ou seja, eu tava dentro ainda.

Em dezembro me ligaram do Rio falando que passei e já me mandaram os tickets das passagens e hospedagem. Pensei, pensei, pensei e achei que aquela história estava indo muito longe. Liguei lá e desisti, porque eu nunca senti tanta certeza sobre algo na vida como a de que eu entraria no programa. Achei que, com o momento que o programa atravessa, é melhor ser um ex-futuro-ex-BBB. E também porque é muito legal falar pra todos: “Recusei o Big Brother”.

Faltou afinidade.

4 respostas para “A história de um ex-futuro-ex-BBB”

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